SHAVUÔT ? A FESTA DAS SEMANAS
??Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Atos 2.1-4
Dentre as festas do calendário bíblico/judaico, SHAVUÔT (semanas em hebraico, ou pentecostes, em grego), é a quarta festa. Shavuôt é uma festa bíblica que marca a entrega da Torá ao povo israelita. Também conhecida como Festa de Pentecostes, a celebração fala sobre um período de colheita de grãos.

O nome Shavuôt, quer dizer "semanas". Isso ocorre porque a Festa de Shavuôt é celebrada após sete semanas contadas a partir de Pêssach.
?? contarei para vós, desde o dia depois do Sábado, isto é, desde o dia em que houverdes trazido o molho da oferta de movimento, sete semanas inteiras; até o dia seguinte ao sétimo Sábado, contareis cinquenta dias; então, oferecereis nova oferta ao Senhor. Das vossas habitações trareis, para oferta de movimento, dois pães de dois décimos de efa; serão de flor de farinha, e levedados se cozerão; são as primícias do Senhor. Com os pães oferecereis sete cordeiros sem defeito, de um ano, um novilho e dois carneiros; serão holocausto ao Senhor, com as respectivas ofertas de cereais e de libação, por oferta de cheiro suave ao Senhor. Também oferecereis um bode para oferta do pecado, e dois cordeiros de um ano para sacrifício de ofertas pacíficas. Então o sacerdote os moverá, juntamente com os pães das primícias, por oferta de movimento perante ao Senhor, com os dois cordeiros; santos serão ao Senhor para uso do sacerdote. E fareis proclamação nesse mesmo dia, pois tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas habitações pelas vossas gerações?? (Levítico 23:15-21)
O que vemos descrito em atos capítulo 2 é o povo judeu cumprindo a determinação de Deus, onde diversas nações subiram até Jerusalém, para entregar suas ofertas de Shavuot. A partir da festa da Páscoa, (Onde Cristo foi Morto, assim como o cordeiro que teve o seu sangue aplicando-nos umbrais do povo de Israel lá ainda no Egito) contam-se 49 dias (A Contagem do Ômer) e no quinquagésimo dia celebramos a festa de Shavuôt/Pentecostes. É por isso que a festa também é conhecida como Pentecostes, palavra cuja origem grega (pente?kost??) significa ?quinquagésimo".
Deus manda o povo judeu contar sete semanas inteiras até que se complete o qüinquagésimo dia, o Dia de Pentecostes.
Qual a aplicação podemos fazer destes ensinamentos ao povo de Israel em nossas vidas? Se prestarmos bem atenção, as festas judaicas representam nossa caminhada com o Eterno. Sabemos que todas as Festas falam da pessoa de Jesus. Sua obra redentora está presente em nós e Ele nos resgatou da vida de pecado, tem nos libertado ao longo desta caminhada pelo deserto.
Em Shavuot Deus deseja outra oferta de movimento ? não estática, não morta. Ele pede, agora, que as duas medidas de dois décimos de um efa de farinha se transformem em dois pães, já levedados, prontos para se comer, ou seja algo sólido. Se atentarmos para o detalhe espiritual, podemos concluir que o Senhor agora deseja seguidores maduros na fé.
Os dois pães levedados, isto é, fermentados, falam da contaminação, do pecado. ?Acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus.? Mateus 16.6
O crente, recebe a Jesus como seu salvador pessoal e continua sua vida normal no deserto (no mundo). Jesus orou ao Pai para que não nos tirasse deste mundo, mas para que fôssemos sempre livres da tentação e para que vencêssemos o mundo (João 17:15-21). Há algo muito grande além da fé em Jesus e de ter a vida eterna. Deus quer que desenvolvamos a salvação de nossa alma (mente, personalidade, caráter, emoções etc.)
Fp. 2:12 - Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
A noiva que Cristo vem buscar tem que ter o caráter dEle, o jeito dEle, a mente dEle, e, sobretudo, a santidade dEle. Por isso, Ele quer uma noiva que seja (Sem Rugas) e sem defeito. Em outras palavras, crentes e filhos maduros que, vivendo em santidade e totalmente separados para Ele, vivam, ainda neste mundo maligno, para testemunhar e glorificar o nome do nosso amado Jesus.
Mas, quem irá nos capacitar para que vivamos nesta boa performance de vida?
Ah! Só pode ser o próprio Rúach Há Kôdesh (Espírito Santo de Deus), aquele que nos ensina, exorta-nos, consola-nos e nos mostra os detalhes da pessoa do noivo. Agora, entendemos o porquê dos dons do Espírito Santo. Ele nos dá capacidade e poder para sermos vitoriosos nesta vida, vencendo o pecado, derrotando o mal, testemunhando da glória e profetizando o amanhã, já escrito e determinado no coração do Eterno.
Com o pão oferecereis sete cordeiros sem defeito de um ano, e um novilho, e dois carneiros; holocausto serão ao SENHOR, com a sua oferta de manjares e as suas libações, por oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR. (Levítico 23.18)
Agora, Deus deseja sete cordeiros como oferta. Isto mesmo, sete! Sabemos que o número sete fala da plenitude de Deus, daquilo que é perfeito, completo. Por isso nestes dias de Shavuôt, Deus está nos revelando-nos um Salvador perfeito, completo, inteiro para nós para que, ao mesmo tempo, nós sejamos semelhantes a Ele.
A presença de um novilho fala de uma Festa de alegria. Lv. 23.18 Os dois carneiros falam da perfeição e da beleza do caráter de Jesus reveladas pelo Espírito Santo. As ofertas queimadas, com cheiro suave, indicam a aceitação do Senhor, purificando, pois, em Pentecostes, recebemos os dons do Espírito Santo justamente para nos ajudar e nos capacitar a sermos filhos maduros.
Mas, por que a presença de um bode? Lv 23.19 - O bode, na Bíblia, fala sempre da necessidade de expiação de pecados. Mesmo batizados pelo Espírito Santo estamos vulneráveis à queda e ao pecado, embora não tenhamos mais a natureza do pecado. Por isso, é necessário expiar, arrependermo-nos constantemente pelas nossas faltas e pecados.
E é isso que Deus nos ensina durante os 49 dias entre a festa da Páscoa e Pentecostes.
A CONTAGEM DO ÔMER
No calendário judaico, o período das sete semanas, que se inicia na segunda noite de Páscoa e termina na véspera de Shavuôt, é conhecido como Sefirat Ha Ômer (Contagem do Ômer). O Ômer é uma unidade de medida da época, para sementes, grãos etc?Lv. 27.16
Os Israelitas colhiam um Ômer de maná todo dia. Era a porção diária.
Levítico 23:15-16 diz: ?Contareis para vós, desde o dia depois do sábado, (...) sete semanas inteiras; até o dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; (...)?
Sefirát Ha Omêr - No judaísmo, a palavra Omêr significa, na linguagem espiritual:
1 - Um período de entrega diária - Como está o seu Ômer cheio ou vazio?
2 - Um período de sacrifício - Pentecostes é colheita, mas também é entrega!
3 - Um período necessário para se assumir a liberdade conquistada Mudança da mente, para gerar novos frutos.
Na Páscoa, fomos libertos da escravidão. Mas é importante e necessário nos conscientizarmos de que realmente somos livres. Podemos estar livres fisicamente, mas mentalmente presos na alma.
?Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.? (Rm. 6:17-18)
Não fomos libertos da escravidão do Egito para que uma vez livres continuassemos a viver como escravos. Não nos basta estar na presença de Deus por obrigação ou apenas por interesses. É um tempo de celebrar, clamar e receber de Deus o Fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, benignidade, domínio próprio, fé e mansidão; (Gl. 5.22-23).
Em Pentecostes somos convidados a um processo diário de crescimento e maturidade espiritual.
CONCLUSÃO - SHAVUÔT, É LIBERTA-SE PARA SERVIR
É isto mesmo! Assim como, na Festa da Páscoa, tomamos posse de que somos libertos da escravidão do pecado, assim também, após a contagem de Sefirát Ha Omêr, devemos tomar consciência de que, agora, o Senhor deseja nossa libertação para servi-Lo.
Isto mesmo. Se Deus estivesse interessado somente na nossa vida eterna, bastaria que nos convertêssemos hoje e morrêssemos amanhã. Do contrário, por que estaríamos celebrando, a cada ano, nosso aniversário de conversão?
?mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra. Atos 1.8
Deus quer filhos maduros (Rm. 8) e, por isso, Ele nos presenteia com os dons do Espírito Santo, os quais nos capacitam quer individualmente, quer como uma Igreja madura. No final das contas, o que o Eterno deseja são os frutos do Espírito mencionados em Gálatas 5:22, os quais sumarizam nossa maturidade e qualidade de fé.
PÁSCOA E PENTECOSTES
Na Páscoa, nos lembramos do nosso novo nascimento em Cristo; mas, em Pentecostes, nos alegramos pelos primeiros frutos de nossa conversão: o Fruto do Espírito, o batismo do Espírito Santo, os dons Espirituais, nossa mudança de atitude e a mudança do nosso caráter;
Celebrar Pentecostes é buscar viver, uma vida cheia do Espírito Santo, o qual nos revela, cada vez mais, a pessoa de Cristo sendo formada em nós;
Na Festa de Pesach (Páscoa), nós nos libertamos DE algo que nos prendia. Em Shavuot, nós nos libertamos PARA servir a Deus.
NA FESTA DE PENTECOSTES, COMEMORA-SE, TAMBÉM O CUMPRIMENTO DE Joel 2.28-31 ? O DERRAMAMENTO DO RÚACH (ESPÍRITO)
Para os judeus, a Festa de Shavuôt celebra o aniversário da Torá, da Lei de Deus, dada a Moisés no Monte Sinai. Muito mais, celebramos o dia maravilhoso no qual, nesta Festa, a Igreja primitiva dos apóstolos recebeu o Espírito Santo do Pai.
Ezequiel anunciou que Deus ?poria seu Espírito sobre a casa de Israel?:
Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne; para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Ez. 11.19-20
Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações. 2 Cor. 3.2-3
O profeta Zacarias recebeu a mensagem de Deus de como o Messias da Casa de Davi morreria por nossos pecados:
?E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e súplicas; olharão para mim, a quem traspassaram?? Zc. 12:10
?Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza? Zc. 13:1
O profeta Joel profetizou que Deus prometia ?derramar o Seu Espírito sobre toda a carne? ? uma esperança para os crentes de todas as nações!
Estas promessas, quando cumpridas, introduziram uma nova qualidade de vida e um novo estilo de vida na sociedade judaica e cristã. Durante o ministério terreno de Jesus, ?o Filho de Davi?, (Mt 1:1; Rm. 1:3; II Tm. 2:8; Ap. 5:5), Ele confirmou a promessa do Pai a seus discípulos: ??o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas?ele vos guiará a toda a verdade? Jo 14:26; 16:13.
E antes do Messias subir aos céus, voltando ao Pai Celeste, Ele afirmou uma última vez:
??determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai, a qual , disse Ele, de mim ouvistes?mas recebereis poder, ao descer sobre vós o meu Espírito, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém , como em toda a Judéia e Samaria, e até nos confins da terra? At. 1:4,8
Estas promessas, quando cumpridas, introduziram uma nova qualidade de vida e um novo estilo de vida na vida dos crentes. É o início da era do Espírito Santo, uma era em que o próprio Deus habita em nós e nos capacita a viver uma vida santa e frutífera.
O pastor Hernandes Dias Lopes em seu livro "Joel, o Profeta do Pentecostes", ensina que o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes foi um momento crucial na história da redenção. Foi o cumprimento das promessas feitas por Deus através dos profetas do Antigo Testamento, como Joel e Zacarias. Foi o início da era da igreja, o corpo de Cristo, capacitado e dirigido pelo Espírito Santo.
Augustus Nicodemus, em "O Pentecostes e o Crescimento da Igreja", destaca a importância do Pentecostes na expansão do evangelho pelo mundo. Foi através do poder do Espírito Santo que os apóstolos foram capacitados a pregar o evangelho com ousadia e poder, mesmo diante da perseguição e oposição. O Pentecostes marcou o início da missão da igreja de fazer discípulos de todas as nações.
John Bevere, em "O Espírito Santo: Uma Introdução", nos lembra da importância de vivermos em comunhão com o Espírito Santo em nosso dia a dia. Ele é nosso Consolador, nosso Guia e nosso Capacitador. Ele nos capacita a viver uma vida santa e a cumprir o propósito de Deus para nossas vidas.
Portanto, assim como os crentes do primeiro século foram revestidos de poder no dia de Pentecostes, nós também somos chamados a buscar a plenitude do Espírito Santo em nossas vidas. Somos chamados a viver em comunhão íntima com Ele, a sermos cheios do Seu poder e a sermos testemunhas ousadas do evangelho em nosso tempo.
Que possamos celebrar o dia de Pentecostes não apenas como uma festa religiosa, mas como um lembrete do poder transformador do Espírito Santo em nossas vidas. Que possamos buscar uma renovação espiritual diária através do batismo no Espírito Santo, assim como os discípulos fizeram no dia de Pentecostes. Que possamos ser cheios do Espírito Santo e capacitados a viver uma vida santa e frutífera para a glória de Deus. Amém.